CONCLUSÕES SOBRE O ESTUDO DE CASO
Tudo me leva a refletir sobre nossa capacidade de saber o que está certo ou errado, nossas certezas de muito tempo construídas podem dissipar-se em poucos instantes. Isto aconteceu em breve contato para analisar a situação de um aluno de minha escola com necessidades educacionais especiais.
A princípio pelo meu despreparo e falta de informações, o assunto causou-me desânimo e impotência, pois achava que nosso papel de educador deveria ser corrigir a dificuldade apresentada pelo aluno.
Com o decorrer do semestre minha visão tomou novo enfoque, constatei primeiro que o que aprendi que seria uma deficiência é na verdade uma maneira diferente do sujeito estar no mundo, onde cada um apresenta seu tempo e sua maneira de expressar o que conhece e sabe fazer.
É difícil ver esta realidade porque vivemos em torno dos currículos escolares e estruturas já criadas que impõem seus padrões do que considera um pleno desenvolvimento do educando e quais metas deve atingir para ser considerado dentro dele, excluindo desta forma os que não se enquadram.
Fica também o entendimento de que nada pode ser modificado sem antes buscarmos informações e haver um comprometimento do professor em envolver-se no conhecimento e desenvolvimento de seu aluno.
O caso do menino que escolhi para analisar trouxe-me questões de providências que poderiam ter sido tomadas pela escola e pela família, na estrutura física e pedagógica, que não aconteceram e que também felizmente não fizeram falta ao Daniel. Mas como cada caso é um caso, fica o alerta para situações futuras de que atitudes devem ser tomadas e tem como melhorar a permanência do aluno na escola se houver um comprometimento e envolvimento em várias esferas, escolar, familiar e governamental. Cada um tem um papel fundamental a desempenhar na garantia do desenvolvimento pleno do aluno como cidadão. Desde o início mencionei que na realidade a escola não incluiu este aluno, mas ele incluiu-se nela. (Cheguei a pensar que este caso não seria produtivo em termos de reflexão sobre a inclusão). Em momento algum esta criança foi tratada como impotente ou diferente, sendo excluída ou desencorajada das atividades físicas. Havendo incentivo dos professores e por parte de sua família não houve repressão para que não participasse porque poderia não conseguir ou machucar-se.
Todo este conjunto de atitudes positivas levou o menino, agora sim, a ser incluído, no time de futebol que representa a escola nos jogos municipais.
Enquanto ele estava só em nosso espaço escolar, estava fácil de controlar a situação. Mas como seria a atitude dos alunos de outras escolas ao jogarem com um menino que usava muletas.
Todas estas questões pesaram na hora do professor de Educação Física incluí-lo em seu time e apostou no aluno que merecia esta chance de provar ser capaz de participar além de ser um direito seu e também pelo apoio de seus pais que poderiam impedi-lo por medo de ser machucado. O importante não seria a vitória do time e conseguir classificações, mas permitir que todos tenham seus direito garantidos no mundo, não importa suas diferenças como já vinha acontecendo com todos os professores pelos quais passou desde a pré-escola.
O professor foi questionado pelos alunos das outras escolas sobre como deveriam agir, quais cuidados tomar durante o jogo, sua respostas foi que jogassem normalmente, cuidando e respeitando como fariam com os outros.
Depois de um tempo de jogo e de algumas oportunidades perdidas, Daniel finalmente consegue marcar um gol, o professor relata este momento emocionado, da atitude do goleiro que vai ao fundo da rede, pega a bola, vem em direção ao menino, larga a bola e aperta sua mão. A platéia do ginásio de esportes, composta por alunos de várias escolas, levanta-se e aplaude.
Vejo então que a inclusão não é só promover mudanças de adaptação, mas acreditar que todo aluno sabe e pode aprender mais. Concluo, portanto que nossa escola sempre incluiu Daniel, pois permitiu a ele espaço para demonstrar que era capaz.
Dimensões de uma expressão cultural
A imagem que faço de mim mesma, são invensões que fui criando conforme as memórias, os mitos e idéias incutidas e vivenciadas ao longo do tempo, conforme o meio em que vivo.
A crença que esta identidade não muda, será assim até o fim, está aos pouco se dissipando em mim. Já tive uma imagem de mim, onde me via como alguém insubstituível na minha família, no serviço, este pensamento exigia uma cobrança muito grande de estar sempre presente em tudo, fazer sempre a diferença. Ápós muitas reflexões, esta imagem está sendo substituída pela de alguém que tem um papel importante na sua história, mas que pode falhar, escolher o que mais lhe agrada, enfim ser o que sou e não o que gostariam que eu fosse. Sem precisar fazer comparações com os outros, sem negar o outro.
Método Clínico
Perceber o estágio de desenvolvimento em que se encontra meu aluno é muito importante no planejamento que desenvolverei com ele. Identificando o estágio pré-operatório ou operatório concreto, são os que atingirão a faixa etária do meu campo de atuação, terei uma visão da capacidade já desenvolvida ou não que meus alunos possuem de conservação, isto é, se acompanham o processo de transformação dos objetos ( reversibilidade ), ou se ainda se detem ao que estão vendo no momento ( irreversibilidade ).
Interrogando a criança, pedindo explicaçãoes, oferecendo contra-argumentos, procurarei captar seu pensamento para ver que novas hipóteses poderá criar, qual o caminho que segue para a aprendizagem.
A escola infelizmente parece que tem se mostrado o ambiente mais propício à discriminação de todas as maneiras, pois é ali que se congregam os diversos tipos de etnias, classes sociais, culturas e portadores de algum tipo de necessidades especiais.
É ela também quem tem o papel de trabalhar e despertar a percepção e a consciência de seus integrantes para a diversidade que compõem os grupos familiares ou de convivência.
Acredito que o primeiro passo a ser dado para que eu respeite o diferente de mim é conhecê-lo. Isto através das atividades propostas e serem aplicadas com meus alunos, mostrou-se eficiente e foi um passo importante, pois meus alunos de pré-escola passaram a tomar conhecimento das próprias diferenças entre si, a partir da construção do mosaico das etnias, vislumbraram um mundo mais cheio de diferenças convivendo lado a lado.
Nesta atividade despertaram para a existência da etnia indígena e demonstraram interesse em conhecer mais sobre eles. Fazendo relações com seu modo de vida e o diferente que não torna ninguém melhor ou pior por não ter um modo de vida igual.
Todo este conjunto de atitudes positivas levou o menino, agora sim, a ser incluído, no time de futebol que representa a escola nos jogos municipais.
Enquanto ele estava só em nosso espaço escolar, estava fácil de controlar a situação. Mas como seria a atitude dos alunos de outras escolas ao jogarem com um menino que usava muletas.
Todas estas questões pesaram na hora do professor de Educação Física incluí-lo em seu time e apostou no aluno que merecia esta chance de provar ser capaz de participar além de ser um direito seu e também pelo apoio de seus pais que poderiam impedi-lo por medo de ser machucado. O importante não seria a vitória do time e conseguir classificações, mas permitir que todos tenham seus direito garantidos no mundo, não importa suas diferenças como já vinha acontecendo com todos os professores pelos quais passou desde a pré-escola.
O professor foi questionado pelos alunos das outras escolas sobre como deveriam agir, quais cuidados tomar durante o jogo, sua respostas foi que jogassem normalmente, cuidando e respeitando como fariam com os outros.
Depois de um tempo de jogo e de algumas oportunidades perdidas, Daniel finalmente consegue marcar um gol, o professor relata este momento emocionado, da atitude do goleiro que vai ao fundo da rede, pega a bola, vem em direção ao menino, larga a bola e aperta sua mão. A platéia do ginásio de esportes, composta por alunos de várias escolas, levanta-se e aplaude.
Vejo então que a inclusão não é só promover mudanças de adaptação, mas acreditar que todo aluno sabe e pode aprender mais. Concluo, portanto que nossa escola sempre incluiu Daniel, pois permitiu a ele espaço para demonstrar que era capaz.
2 comentários:
Oi Cristina,
Teu relato é encantador! Além de apresentar uma experiência de inclusão, encorajamento e superação, conseguiste articular essa vivência aos saberes construídos ao longo do semestre. E mais: evidencias como esse processo de descontrução e reconstrução de saberes aconteceu, ou seja, tua reflexão revela uma tomada de consciência, etapa fundamental para a construção do conhecimento.
Parabéns pela tua reflexão!
Beijos, Rô Leffa
Oi Rô!
Estar estudando as vezes fica pesado para dar conta de tudo, mas quando paro e vejo todas as oportunidades de mudanças e reflexões no campo pessoal e profissional, que estou tendo oportunidade por estar no Pead, fico maravilhada e feliz. Qualquer avanço para mim por menor que pareça, é uma grande conquista, pois certamente se não fosse esta oportunidade não estaria exercitando tantas coisas como argumentar, defender minhas idéias ou mudá-las com embasamento e orientação de tantas pessoas capazes, assim como você que admiro muito.
Beijos, Cristina.
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